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Paisagens da nossa terra: um projeto dos 7ºA e 7ºB
Por Isaura Peres (Professora), em 2018/06/20192 leram | 0 comentários | 51 gostam
Conhecer as paisagens do Planalto Mirandês foi o pretexto para o desenvolvimento de aprendizagens interdisciplinares e de competências envolvendo os alunos dos 7ºA e B da EBS de Miranda do Douro.

Alunos do 7ºA e B da EBS Miranda do Douro
Isaura Peres


O ponto alto deste projeto foi uma saída de campo a alguns locais do Planalto Mirandês representativos da diversidade de paisagens naturais e humanizadas, da geologia, do relevo, da relação entre as rochas do meio e o seu uso pelo homem.
Estas atividades são também momentos privilegiados para contactar com entidades locais, desenvolver competências nas áreas do saber científico, da comunicação, do desenvolvimento pessoal, do pensamento crítico do relacionamento interpessoal.
O roteiro definido teve em conta os principais pontos de interesse identificados pelos alunos no estudo prévio e também o tempo disponível, passando por Vila Chã, Picote, Sendim, Uva, S. Pedro e Miranda.
Com o autocarro da autarquia disponível, partimos no dia 6 de março de 2018, acompanhados pelas professoras Isaura Peres e Carla Eiras, para um dia de reconhecimento das nossas paisagens e cheios de entusiasmo.

1ª Paragem: PEDREIRA DA INERTIL- Vila Chã da Braciosa
O primeiro local visitado foi a Pedreira da Inertil em Vila Chã da Braciosa. Da encosta rochosa, a empresa extrai granitos azuis de grão fino para britagem. Fomos recebidos pelo gerente, Sr. Gilberto, que nos acompanhou ao longo da visita e explicou todo o processo de extração e transformação do granito, até à sua britagem de vários calibres. O extenso parque estava ocupado por imensa maquinaria e montes de brita o que nos permitiu muita brincadeira. Esta empresa local é a principal produtora de brita da região que é usada, essencialmente, em pavimentação.

2ª Paragem- ALDEAMENTO DE PICOTE
Em Picote, fomos gentilmente recebidos pelo Presidente da Junta, Dr. Jorge Lourenço, e pela responsável pelo Ecomuseu, Dra. Margarida Telo, que nos guiaram ao longo da visita pelo aldeamento e ao ecomuseu.

Picote é um aglomerado milenar sobranceiro ao Rio Douro, com um vasto património natural, arquitetónico, arqueológico e cultural.
Percorremos as ruelas da povoação com as suas típicas calçadas e construções rurais graníticas bem preservadas que demonstram a estreita relação entre o homem e a geologia local. A identificação das ruas faz-se em língua mirandesa e portuguesa.
Seguimos para o Ecomuseu Terra Mater, espaço que permite conhecer melhor os usos e costumes das Terras de Miranda e local de guarda de importantes achados arquitetónicos.


3ª Paragem- MIRADOURO DA FRAGA DO PUIO - PICOTE
Na companhia do Sr. Presidente da Junta de Picote e a Dra Margarida, seguimos em direção ao Miradouro da Fraga do Puio. Ao longo do percurso fomos observando o entorno, onde as paisagens humanizadas evidenciam a ligação do homem à terra, como as hortas, os "ciguonhos", os fontanários, os socalcos salpicados de oliveiras e amendoeiras.
Chegados ao miradouro deslumbramo-nos com a visão do canhão do Douro. Uma vista magnífica ensombrada pelo negro dos devastadores incêndios do verão de 2017 que afetaram tanto o lado espanhol como o português, numa vasta zona de mato com plantas autóctones como zimbos e azinheiras, mas também zonas de nidificação de muitas aves ripícolas.


4ª Paragem- BARREIRO- SENDIM

O Barreiro é uma zona localizada em Sendim que tem esta designação porque foi um local de exploração de argilas, vulgarmente designadas por barro. Estes depósitos minerais correspondem a rochas sedimentares detríticas de grão fino a ligeiramente grosseiro, de cor avermelhada.
Este recurso natural foi aqui explorado como matéria-prima para a produção cerâmica de telhas, tijolos e afins numa fábrica de transformação localizada no Variz.
Atualmente a exploração está inativa, mas as marcas da atividade extrativa continuam bem presentes, com enormes depressões que acumulam água da chuva, e com impacto ambiental e paisagístico evidente.


5ª Paragem- ALDEAMENTO DE UVA E POMBAIS

Em uva fomos recebidos pelo Sr. Américo Guedes, responsável na Associação Palombar que tem como missão, entre outras, a recuperação e preservação de pombais.
Nesta aldeia dois dos aspetos mais marcantes são as construções em xisto, rocha dominante na região, e a elevada concentração de pombais.
Cerca de 40 pombais tradicionais marcam a paisagem e são um exemplo da arquitetura popular rural transmontana. Esta elevada concentração deve-se à localização privilegiada da aldeia no fundo de um vale que torna o clima mais ameno, propício para a criação dos pombos.
Os pombais são construções que apresentam grande variedade de elementos decorativos, onde se abrigam bandos de pombos e permitem ao seu dono daí retirar vários produtos, tais como pombos para alimentação e estrume que utiliza como fertilizante para suas terras.
Fizemos uma visita a um pombal que não foi totalmente reconstruido por motivos pedagógicos. Os elementos fundamentais dos pombais estão aqui bem preservados permitindo compreender como é construído e como funciona um pombal.

Nos pombais tradicionais, antigos, os materiais utilizados na sua construção são materiais de origem local, como a pedra de granito ou xisto, nas paredes, e a telha de barro ou ardósia nas coberturas. As paredes são geralmente cobertas com argamassa e caiadas de branco.
Os pombais apresentam diversos elementos arquitetónicos exteriores específicos, como, por exemplo: cortaventos; pináculos e outras formas de ornamentação; portas; saídas de voo; e estruturas contra predadores.
Em Uva visitámos ainda uma casa senhorial antiga que se encontra parcialmente em ruínas, mas que a associação Palombar está a reconstruir preservando todos os elementos arquitetónicos originais.

6ª Paragem- PEDREIRA DE MARMORES EM S. PEDRO DA SILVA

Entre a Granja e S. Pedro da Silva encontramos as marcas de uma antiga pedreira em afloramentos dos mármores de Santo Adrião. Atualmente abandonadas, foram outrora fonte de alabastro e mármore, duas pedras ornamentais usadas na decoração de interiores ou para esculpir. Mais tarde, o mármore foi extraído para produção de corretivo de terrenos e por fim para extração de inertes.


7ª Paragem- MIRADOURO DAS ARRIBAS, MIRANDA DO DOURO

Já perto do fim do dia e do percurso traçado, chegámos a Miranda. Dos diversos Miradouros pode observar-se a paisagem magnífica sobre o canhão fluvial do rio Douro, com paredes abruptas com cerca de 200 m sobre a albufeira da barragem de Miranda. Numa destas escarpas rochosas do lado espanhol, na Faia Amarela, aparece a figura do número 2, revelado em manchas de líquenes na superfície ferruginosa do granito.

“Miranda do Douro, 3 de Agosto [1947]
Até que enfim! Mas não foi o menino Jesus da Cartolinha que vim ver, nem mesmo uma rua quinhentista tal e qual como a deixaram os pedreiros manuelinos. Foi o planalto transmontano, adusto, largo, arejado, guardado por esta severa Sé de granito, erguida diante dos olhos castelhanos como a cruz dos crentes alçada diante da tentação de Satanás.”
(Miguel Torga, Diário IV).


8ª Paragem- TALUDE DE ACESSO À BARRAGEM DE MIRANDA- AFLORAMENTOS ROCHOSOS

Seguindo pelo talude de acesso às instalações da central hidroelétrica, um corte geológico com boa exposição, muito interessante para quem goste de observar rochas, dobras e o vale do Douro. Aqui podem observar-se vários tipos de rochas em contacto, representativas da geologia local, como xistos, granitos e gnaisses.
O granito é uma rocha magmática e o xisto e os gnaisses são rochas metamórficas. Nos xistos observamos várias dobras.


RESPEITE A NATUREZA!




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